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Frassino Machado / Textos, comentarios e ensaios ! Poetica/Arte!Historia,filosofia,Musica!Desporto/lazer!
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   Sexta-feira, Outubro 21, 2005


ALMA MATER, PEQUENO SER


Por
Frassino Machado


'Stou sentado na esplanada
folheando meu dossier
vindo ali da passarada
alma mater, pequeno ser.

Em brando voo receoso
lá chegou ao pé de mim
pardal fino temeroso
debicando amendoim.

Dei-lhe antes do meu pão
que migalhas é com ele
matou fome com paixão
e deu vida à sua pele.

Os seus olhos de safira
amendoados e cretinos
de mim nunca retira
graciosos e ladinos.

Comecei a reflectir
os segredos da Natura
que dos seres do porvir
surge sempre uma ventura.

Mas a borrasca chegou
fazendo grande escarcéu
e o pardal lá esvoaçou
à busca de novo céu.

Já agora vai pelo mundo
uma ameaça inclemente
um mal de aves bem fundo
pondo em p' rigo toda a gente.

Se das aves vem o mal
nem tudo se perderá
ficará sempre um pardal
a alegrar cada manhã !


Frassino Machado
In AS MINHAS ANDANÇAS
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   Terça-feira, Outubro 18, 2005



AO MOINHO DO ALFERES

Por
Graciett Vaz

Ribeiro do Vascão tinha
uma azenha tão velhinha
que já deixou de moer,
ao vê-la eu sinto pena
vejo esta jóia pequena
aos poucos desaparecer.

Tu que moías o trigo
esse nosso grande amigo
para o pão podermos ter,
de ti só restam as pedras
em teu redor muitas ervas
e as mós p' rá gente ver.

Velho moinho do alferes
onde o moleiro sem haveres
vivia muito contente,
aqui criou os seus filhos
moía trigos e milhos
para fazer o pão p' rá gente.

O moleiro esse morreu
um dia partiu para o céu
a ninguém disse adeus,
deixou todo o seu carinho
por este velho moinho
que foi oferta de Deus.


Graciett Vaz

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Salve,
Novos Poetas !

PARABÉNS À
HELENA BANDEIRA


ILUSTRE ESCRITORA E POETISA DA TERTÚLIA POÉTICA AO ENCONTRO DE BOCAGE

Como "um filho que nasceu" foi ontem lançado, isto é, dado à luz, mais um belo livro de Poemas na nossa tão rica Literatura Portuguesa. Num Auditório, repleto de adeptos entusiastas da POESIA, e com a presença de algumas pessoas ilustres da nossa Cultura, Helena Bandeira viu, finalmente, editado e publicado o seu primeiro Livro :

« CREPÚSCULO DA ÁGUA »

Como não podia deixar de ser foi a Fundadora e Presidente da prestigiada Tertúlia América Miranda quem declamou perante o público atento alguns dos seus poemas mais destacados.

Quase toda a TERTÚLIA, da qual é membro integrante de há um ano a esta parte, esteve presente e testemunhou com enorme contentamento este seu rico Projecto.
À feliz tertuliana aqui deixamos os nossos mais cordiais parabéns e votos de que esta Obra seja a primeira de muitas. E Helena Bandeira bem o merece.
Em homenagem à sua tão delicada mestria e sensibilidade poética aqui fica um exemplo do seu estro.

AS MINHAS MÃOS

Por
Helena Bandeira

As minhas mãos frias,
frias e vazias
pela ausência das tuas...

As minhas mãos vazias,
vazias e frias
que jamais tocarão as tuas...

Muito me doem as minhas mãos vazias,
tanto quanto as minhas lágrimas sufocadas,
mudas,
surdas,
sem som, sem nexo, aturdidas e magoadas
como as minhas mãos, das tuas vazias...

Estão gélidas as minhas mãos vazias...
Tão dolorosamente vazias!
E o meu soluçar silencioso vai sendo engolido
pelo meu coração esvaziado, tão só e tão ferido...

E assim ficaram, vazias e frias, as minhas mãos...

Aquelas mãos que, por tão entrelaçadas nas tuas,
não se distinguia quais eram as minhas ou as tuas!...


Helena Bandeira
In CREPÚSCULO DA ÁGUA
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