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Frassino Machado / Textos, comentarios e ensaios ! Poetica/Arte!Historia,filosofia,Musica!Desporto/lazer!
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   Sábado, Setembro 10, 2005



HOMENAGEM POÉTICA - MANUEL BARBOSA DU BOCAGE

- 2º Centenário da sua morte ( 1805-2005 ) -

SALVE, ELMANO SADINO !


Salve, Elmano Sadino,
entre os Poetas o maior,
o teu coração latino
expande chamas de amor!

Cresceste neste País
com a alma ao desatino
plantaste eterna raiz
salve, Elmano Sadino !

Teu Mundo foi a Poesia
o Sado engendrou a flor
e foste, p' la maresia,
entre os Poetas o maior.

Teu cálamo desenhou
versos d' eterno destino
foi um génio qu' emanou
do teu coração latino.

Com tua Musa ditosa
todo o prazer vence a dor
a tua Lira formosa
expande chamas de amor !

Frassino Machado
In ODISSEIA DA ALMA,
10-09-2005
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   Sexta-feira, Setembro 09, 2005

II PARTE - PÓS-MODERNISMO E GLOBALIZAÇÃO POÉTICA

Por
Frassino Machado

Todos sabemos bem que hoje em dia, no mundo da "expressão poético-literária", o modelo formal do texto - ou expressão comunicativa - encontra-se sobejamente subalternizado. Qualquer escritor/poeta que se preze e, nomeadamente, aquele que conquistou lugar ao sol no "mundo do mercado literário" não tem a mínima preocupação pela forma poética. Toda e qualquer expressão escrita comum, mesmo a mais bizarra, é utilizada para veicular "sentimentos tidos como poéticos". A tal ponto chegou esta secundarização que, para espanto de todos ou até não, chega-se a desprezar o cuidado semântico, metafórico e, mesmo, gramatical ! É uma postura com intenção reconhecidamente pos-modernista que, quanto a nós, se assume libertária, para não dizer anárquica. Sinteticamente, na mais generalizada expressão literária, apenas uma preocupação impera: importa "dar nas vistas", "impressionar", "espantar". Eis a poesia que, bem vistas as coisas, constitui no nosso tempo um fenómeno proporcional às correntes artísticas dominantes, em que um "expressionismo piroso¿ marca a sua maior influência. Poder-se-á afirmar mesmo, no dizer de um pensador contemporâneo, "vivemos a grande maré da cultura inculta". Ou seja, para se chegar culturalmente - neste caso artisticamente - à maior quantidade possível de "consumidores" torna-se fundamental que todo o escritor/poeta se vista da roupagem o mais generalizada possível ( eu direi vulgarizada ) para que a sua mensagem se torne abrangente a todas as classes de potenciais leitores/admiradores...
Sendo assim poderemos dizer que, no tocante à forma poética estamos conversados: à priori toda a expressão escrita é válida em si mesma desde que sirva de atracção e seja apelativa. Logo toda a arte poética aposta - no lugar da essência e da forma - na emocionalidade, no sentimento figurativo, no instinto e na ficção do movimento, do som e da luz. Isto é, em última instância, há que apostar no apriorismo da « palavra ». Da palavra singular. Esta, por si mesma - tentando justificar e dominar o espaço e o tempo - impõe-se a todos os fenómenos. Quer dizer: a palavra conquistou o primado da expressão artística poética. Dito doutra forma: a palavra venceu o verso e o poema e, daqui, substituiu a poesia.
O que acabámos de expor é apenas, e só, a forma como visualizamos o momento da Poesia actual que, quer queiramos quer não, prolifera em todas as línguas e culturas como resultante da transformação universal dos meios de comunicação de massas. Aquilo a que chamamos de "globalização" invadiu sem limites a arte poética tornando-a mais popular, sim, mas também mais libertária e volátil.
O que há a fazer ? Qual deverá ser a resposta de todo aquele que se considera justamente como poeta ? Deverá deixar-se arrastar pela "corrente global" sem critério formal considerado ou terá de se qualificar cada vez mais, privilegiando a sua própria expressão poética e literária ? Deverá jogar, por mero instinto, no "Maria vai com as outras" ou apostar fortemente na sua própria identidade? É este o grande desafio, na nossa opinião, que o poeta tem de cumprir e arriscar. Será uma atitude de resistência que, mesmo não tendo à partida efeitos imediatos, pelo seu próprio fundamento e convicção conquistará, a todo o momento, o seu inquestionável mérito.

Frassino Machado,
In CAMINHOS DO PENSAR
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Salve,
Novos Poetas !


VISÃO DE 6

Por
Joana Carrelha

Vi moinhos e mós
Vi ruínas em barda
Vi palácios bem sós
Vi cruzes queimadas

Vi túmulos degredos
Vi marés e tormentas
Vi teus sorrisos ledos
Vi as faces sardentas

Vi lá princesas mudas
Vi cá príncipes surdos
Vi as suas mãos sujas
Vi seus olhos profundos

Vi cartas cadastradas
Vi teu doce acalento
Vi cartas escapadas
Vi um lacre sangrento

Vi teu rosto chorar
Vi a chuva cair
Vi o Sol a brilhar
Vi teu rosto sorrir

Vi desejo carnal
Vi muito azar e sorte
Vi coragem fatal
Vi a Vida e Morte


Joana Carrelha,
12º Ano
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POESIA E FORMA - DR. REIS BRASIL e Frassino Machado

I PARTE - MEDIDA VELHA E MEDIDA NOVA

Por
Dr. Reis Brasil

Embora continue a poetar-se, entre nós, na chamada "medida velha", a partir de certa altura toma maior vulto a "medida nova".
Na "medida velha" incorpora-se a redondilha tradicional de cinco e de sete sílabas ( redondilha menor e redondilha maior ), que, por vezes, se juntam com o verso de onze sílabas. Nesta medida é usual a tendência para "cantigas sujeitas a mote", seguidas de glosa, ou para diversos argumentos de versos de cinco e de sete sílabas. Recordemos o teatro vicentino, as Quintilhas de Sá de Miranda, as Redondilhas de Camões, as cantigas sujeitas a mote de Diogo Bernardes. Isto no século XVI. Mais tarde seguirão esta medida Rodrigues Lobo em parte, assim como, também em parte, Nicolau Tolentino e Bocage.
A "medida nova", na sua forma genuína, adopta, sobretudo, os conhecidos "versos decassilábicos", ou seja, de dez sílabas. Embora estes já existissem em Portugal, desde as nossas Cantigas de Amor, agora retoma nova vida em seguimento da actuação dada pelos renascentistas italianos: acentuação nas sílabas 6ª e 10ª, ou nas sílabas 4ª, 8ª e 10ª. A forma mais divulgada é o Soneto , composto por duas quadras e dois tercetos de versos decassílabos. O esquema ideal para Castilho é este: ABBA, ABBA, CDC, DCD. Pode ainda seguir-se este esquema: ABAB, ABAB, CDC, DCD; a rima dos tercetos é muito variável. Mais tarde surgirá o Soneto alexandrino, com a mesma estrutura e acentuação, com a diferença de se tratar de "versos duodessilábicos", isto é, de doze sílabas. Consta que o Soneto é originário da Sicília e terá sido trazido da Itália, no século XVI, por Sá de Miranda que, posteriormente o divulgou e ao qual Camões, logo a seguir, deu suma expressão. Temos ainda a "Canção", que se divide, geralmente, em três partes: 1) -cenário; 2) - o amor enquadrado nesse cenário; 3) - invocação à Canção personificada. Entre as formas clássico-renascentistas, integradas na designação de "medida nova" recordemos as seguintes: elegia, écloga, epístola, epigrama, ode, sextilha, epitalâmio, ditirambo.

Dr. Reis Brasil, In HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA
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