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Frassino Machado / Textos, comentarios e ensaios ! Poetica/Arte!Historia,filosofia,Musica!Desporto/lazer!
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   Sábado, Fevereiro 05, 2005




O LIVRO DA NOSSA VIDA

Réplica ao Soneto O LIVRO de
Humberto Soares Santa


De toda a vida humana há um livro misterioso
qu' a cada um de nós alguém recomendou
dizendo: escreve agora. O tempo que passou
tu o viveste e alguém por ti o fez honroso...

O grito que lançámos na hora foi 'spantoso,
a liberdade é algo qu' o prazer lançou
de escrever cada dia o qu' a alma sonhou
em páginas dispersas de um viver ditoso.

Há romances, poemas, crónicas e dramas,
há contos, 'stórias, lendas, fábulas e viagens,
que cada um de nós escreve com paixão...

E quando já 'stá perto do seu fim, em chamas
gloriosas se levantam suas personagens
coroando o autor com todo o seu clarão !


Frassino Machado
In AS MINHAS ANDANÇAS
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TRIBUNA DOS POETAS CONSAGRADOS

« O LIVRO »

Humberto Soares Santa


O Livro foi aberto e Deus escreveu :
- Nasceste pra viver mas morrerás,
amanhã já não és e só serás
um nome que o mundo já esqueceu.

Se tens o livre arbítrio, Filho Meu !
De ti e só de ti depende a paz
nesse mundo que em ódios se desfaz
e renega o amor de que nasceu.

Num momento esse Livro irá fechar
e eu sei que não cumpri a condição.
Deus dirá : - Põe aqui o polegar

Pra gravar com teu dedo a impressão.
Tremendo arrependido... a soluçar,
nas mãos de Deus... porei a minha mão !

Cotovia, 2004-12-17
Humberto Soares Santa
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   Terça-feira, Fevereiro 01, 2005



« Este Governo não cairá
porque não é um edifício.
Sairá com benzina
porque é uma nódoa! »


" O Conde de Abranhos "
EÇA DE QUEIRÓS


A CONSISTÊNCIA


Com o Eça ou sem o Eça
este governo cairá
e por aí não faltará
quem de asneira em remessa
ache bem à evidência
que ele não tem consistência
e em qualquer sítio tropeça.

A começar pelo Santana
que em Alvalade fez 'erda
e até nem foi grande perda,
pois lhe chamaram 'acana,
daí que todo lampeiro
deu logo em virar bombeiro
armado em João Semana.

Quis ser da Câmara eminência
não teve canetas o homem,
estas coisas sempre consomem.
Então, triste coincidência,
observem lá vocês isto,
deram ao pobre do Cristo
um lugar de Presidência !


Frassino Machado
In RUDIMENTOS
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   Domingo, Janeiro 30, 2005

UM SISMO CHAMADO "FREITAS DO AMARAL"

Ensaio crítico de
Frassino Machado

Nenhum acontecimento político pre-eleitoral, em Portugal, teve tanto impacto como a notícia da semana passada de que o dr. Diogo Freitas do Amaral, tenha exprimido a sua opinião, bem assim o seu aconselhamento, no sentido de que o melhor voto político referente às eleições de Fevereiro seria aquele que fosse direccionado para o Partido Socialista. E mais, ele dá o seu parecer de que será útil e necessário que este Partido obtenha uma maioria absoluta. Portanto, pelo pressuposto, este seu gesto constitui - na opinião abalizada da ilustre oposição lusitana ( pelos vistos o PS, antes de o ser, já era o Partido predestinado a ganhar as próximas eleições ) - um descarado apelo ao Voto futuro no dito PS.
Ora, para a maior parte dos Partidos concorrentes às eleições, este "golpe baixo" do prof. Freitas do Amaral foi um autêntico murro no estômago. Porque ninguém o esperava com certeza. Claro que, imediatamente a seguir, começaram a delinear-se as mais bizarras estratégias oriundas dos mais obscuros antros da sub-consciência social, política, ética, para não dizer moral, com a finalidade mórbida de ostracizar o dito professor.
Eis como um pequeno gesto pode provocar tal "maremoto" político e, ao mesmo tempo, resultar em epicêntrico alfobre da mais baixa, esta sim « baixa e obscura política ». Alguns membros do governo actual de gestão, que meses antes teciam loas à austera competência e prestígio de Freitas do Amaral para dirigir as mais altas instâncias, quer nacionais quer estrangeiras, vêm agora à praça pública sacudir a sua roupa bafienta e esburacada, apontando ao professor, afinal, as maiores lacunas e as maiores sem-vergonhices cívicas, colocando-o no mais baixo lugar das tabelas mórbidas do oportunismo.
E o que deverá ter doído mais, pelos vistos, a essa cáfila detractora e amoral de pseudo-políticos, é o terem paulatinamente seguido de perto as crónicas analíticas de Freitas do Amaral na popular revista "Visão", nas duas ou três semanas que antecederam este incidente, as quais nos seus conteúdos certeiros vinham já preparando o clima propício para este desfecho.
Perguntamos nós, agora, que abissal diferença haverá entre esta opinião e as já expressas anteriormente quer por Mário Soares, quer por Cavaco Silva, quer mesmo, indirectamente, pelas do próprio Presidente Jorge Sampaio, para que haja uma erupção tão incómoda para tanta gente por causa desta tomada de posição de Diogo Freitas do Amaral ? Será que o peso do seu testemunho é maior - quanto a nós o peso das personagens aqui citadas é equivalente - ou mais profundo? Será que o professor agiu com "segundas intenções" - mas o mesmo podemos dizer dos outros, o que é democrático - tentando tirar futuros dividendos para a sua pessoa? Ou será que, e aqui outro galo canta, ele actuou como deveriam actuar todos os cidadãos de corpo inteiro deste País, mesmo que não estejam vinculados a nenhum Partido ?
A nossa Constituição também abre oportunidade para estas iniciativas de cidadania, venham elas de onde vierem, desde que sejam oportunas, inteligentes e enquadradas com o interesse nacional. Ou será que não ?
De quem têm medo os Partidos quando Cidadãos impolutos e honrados exprimem a sua opinião ?

Frassino Machado
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