UM SISMO CHAMADO "FREITAS DO AMARAL"
Ensaio crítico de
Frassino Machado
Nenhum acontecimento político pre-eleitoral, em Portugal, teve tanto impacto como a notícia da semana passada de que o dr. Diogo Freitas do Amaral, tenha exprimido a sua opinião, bem assim o seu aconselhamento, no sentido de que o melhor voto político referente às eleições de Fevereiro seria aquele que fosse direccionado para o Partido Socialista. E mais, ele dá o seu parecer de que será útil e necessário que este Partido obtenha uma maioria absoluta. Portanto, pelo pressuposto, este seu gesto constitui - na opinião abalizada da ilustre oposição lusitana ( pelos vistos o PS, antes de o ser, já era o Partido predestinado a ganhar as próximas eleições ) - um descarado apelo ao Voto futuro no dito PS.
Ora, para a maior parte dos Partidos concorrentes às eleições, este "golpe baixo" do prof. Freitas do Amaral foi um autêntico murro no estômago. Porque ninguém o esperava com certeza. Claro que, imediatamente a seguir, começaram a delinear-se as mais bizarras estratégias oriundas dos mais obscuros antros da sub-consciência social, política, ética, para não dizer moral, com a finalidade mórbida de ostracizar o dito professor.
Eis como um pequeno gesto pode provocar tal "maremoto" político e, ao mesmo tempo, resultar em epicêntrico alfobre da mais baixa, esta sim « baixa e obscura política ». Alguns membros do governo actual de gestão, que meses antes teciam loas à austera competência e prestígio de Freitas do Amaral para dirigir as mais altas instâncias, quer nacionais quer estrangeiras, vêm agora à praça pública sacudir a sua roupa bafienta e esburacada, apontando ao professor, afinal, as maiores lacunas e as maiores sem-vergonhices cívicas, colocando-o no mais baixo lugar das tabelas mórbidas do oportunismo.
E o que deverá ter doído mais, pelos vistos, a essa cáfila detractora e amoral de pseudo-políticos, é o terem paulatinamente seguido de perto as crónicas analíticas de Freitas do Amaral na popular revista "Visão", nas duas ou três semanas que antecederam este incidente, as quais nos seus conteúdos certeiros vinham já preparando o clima propício para este desfecho.
Perguntamos nós, agora, que abissal diferença haverá entre esta opinião e as já expressas anteriormente quer por
Mário Soares, quer por
Cavaco Silva, quer mesmo, indirectamente, pelas do próprio Presidente
Jorge Sampaio, para que haja uma erupção tão incómoda para tanta gente por causa desta tomada de posição de Diogo Freitas do Amaral ? Será que o peso do seu testemunho é maior - quanto a nós o peso das personagens aqui citadas é equivalente - ou mais profundo? Será que o professor agiu com "segundas intenções" - mas o mesmo podemos dizer dos outros, o que é democrático - tentando tirar futuros dividendos para a sua pessoa? Ou será que, e aqui outro galo canta, ele actuou como deveriam actuar todos os cidadãos de corpo inteiro deste País, mesmo que não estejam vinculados a nenhum Partido ?
A nossa Constituição também abre oportunidade para estas iniciativas de cidadania, venham elas de onde vierem, desde que sejam oportunas, inteligentes e enquadradas com o interesse nacional. Ou será que não ?
De quem têm medo os Partidos quando Cidadãos impolutos e honrados exprimem a sua opinião ?
Frassino Machado
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