A LÍNGUA PORTUGUESA EM TRAPOS DE POLÉ
Por
Vitorino Magalhães Godinho
Nota - O autor é figura cimeira da nossa Historiografia Nacional, autor de Obras fundamentais da Cultura Contemporânea, como História Económica e Social da Expansão Portuguesa , professor universitário jubilado com um raro currículo e Ministro da Educação e Cultura, logo após o 25 de Abril, o Dr. Vitorino Magalhães Godinho é frontalmente contra o
«Acordo Ortográfico» - o de 1990, agora ratificado por Portugal, mas não só !
QUEM ME AVISA ...
«O Português está a ser esfacelado pela bacoca anglicização do vocabulário e maneiras de dizer e pela preocupação tecnológica com uma linguagem própria sem base cultural» ;
«Que uma escola estrangeira estabelecida entre nós ofereça os Cursos na respectiva Língua, compreende-se e é um enriquecimento; que seja uma escola portuguesa a mascavar os seus Cursos em Inglês, por mais Shakespeariano que seja, é intolerável; e chega-se à humilhação de serem os estudantes estrangeiros a requererem que os Cursos sejam dados em Português - como é de toda a lógica!»
«A introdução de estrangeirismos justifica-se sempre que se trate de ideias ou realizações novas e não disponhamos de equivalente na nossa língua. Mas tem-se generalizado a adopção de aportuguesamentos de léxico estrangeiro quando dispomos de equivalente a dispensá-los, e num e noutro caso construímos formas atrabiliariamente, acabando por forjar vocábulos que ofendem o bom-senso e o bom-gosto»
«Mas um tópico merece ainda ser abordado: os nomes geográficos. Está na moda aportuguesá-los, e já foi costume ir buscar a forma latina para dela tirar a designação actual. Esquece-se que os topónimos são nomes próprios, e como tal não devem ser alterados; certas formas reportam-se a épocas determinadas, por exemplo ao período romano - não há por isso razão para passar a escrever Oxónia em vez de Oxford, ou Lugduno por Lyon »
«A nossa Língua tornou-se um futebol: anda tudo aos pontapés às palavras, sem acertar com as balizas».
«A Cultura tem de ser rigor e exigência crítica, e não se constrói a democracia com bugigangas de pacotilha; o cidadão tem de educar-se para a dificuldade».
Do JORNAL DE LETRAS, N.º 978
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Domingo, Maio 04, 2008
MULHER SEM NOME
Poema para o
"Dia da Mãe"
Co' a 'strela matutina se levanta
muito antes que todos na mansão
mulher sem nome mas de coração
que a si s' empenha e no silêncio 'spanta.
Já o sol brilha e vai de abalada
por esse mundo que lhe dá sustento
em cada gesto ganhando alimento
dá vida à prole ficando desgastada.
Cada hora que passa sente a vida
de maneira diferente em cada rosto
e a sua nunca é reconhecida...
Na orla da alma lágrimas derrama
por cada sonho que virou desgosto
porém, mulher, o mundo te reclama !
Frassino Machado
In RODA VIVA
v.f.f. - www.frassinomachado.net
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